E, descobri Manoel de Barros...
“Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios”
“Cerco-me de poetas para me sentir menos humano”
LIVRO-ARBÍTRIO
“O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço”
Quer perceber? Então leia As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino
MELHOR NÃO TENTAR DESCREVÊ-LO
(OU ‘O ÚLTIMO POST DA TEMPORADA’ UMA OVA!)
Fotografia tem dessas coisas. Congela o tempo, paralisa o mundo, desacelera cidades e estaciona uma ação que nada mais é do que um movimento contínuo. Eterniza. Fotografia é mensagem atirada ao mar. Não há sinestesia nem lembrança que a supere. Engraçado é que não se pensa muito nisso. Não se existe tempo disponível para pensar nessas besteiras... nessas poesias concretas da banalidade... nesses monólogos transbordantes de saudade. Para que importa isso, se tempo é dinheiro? As fotografias. As fotografias vivem escondidas nos porta-retratos abandonados e nos álbuns da Kodak esquecidos nas gavetas inertes. É curioso pensar que embora a gente esqueça seus autores (homens dispostos a ficar de fora do momento sagrado), lembramos detalhadamente dos figurantes (dos carros que esperam gentilmente o click, dos atentos do outro lado se perguntando o que estariam aqueles quatro a fazer no meio da rua). Por que transformar a Paulista numa Abbey Road? Perdoar? Eles sabem o que fazem? Bem disse Saramago, “Os momentos perfeitos, sobretudo quando raiam o sublime, têm o gravíssimo contra da sua curta duração, a que, por óbvio, dispensaria ser mencionado se não fosse a circunstância de existir uma contrariedade maior, que é não sabermos o que fazer depois”... bem perguntou Reuben, “que memória dá conta quando não há nada numa história que não seja inesquecível?”... bem respondeu o tempo.
ISIDORA
Era para o lado de fora da janela que ele fixava o olhar. Mas não eram as ruas, nem os telhados, nem a luz fraca do poste, nem o sereno que ele via. No final das contas, o olhar só se fixa para algo que não olhamos. Imóvel, ele enxergava sua memória. Esses dias chegou a pensar em como na prova dos nove da sua existência, a relação se dava entre ações, causa e conseqüência de um futuro e os acontecimentos do passado. Às vezes seus lábios (superiores e inferiores) se tocavam. Eram como palavras mudas descarregadas das suas recordações. Talvez algumas frases ditas há alguns anos. Lembrava-se da sua vontade de viver em Isidora e dos muitos planos feitos naquela adolescência quente. Viu um gato caminhando demasiadamente demorado pelo telhado úmido e foi exatamente a ausência de barulho do gesto que o perturbou. Aquilo mostrava sua insignificância. Ele lembrou o Calvino e o parafraseou. O mundo talvez não passe de um zoológico de fantasmas da mente.
RESTO É MAR
Ontem ela ligou pra ele. Logo ontem. Logo ontem que ele se debruçava e tentava entender a solidão do velho Santiago em companhia do seu barco cercado por tubarões. Logo ontem. Eles se gostaram. Eles se gostam até hoje, ninguém pode negar. É perfeitamente compreensível. Ele sempre a admirou. Desde os primeiros ‘ois’ sussurrados, quase inaudíveis. Ela? Ela nunca se deixou esquecer na mesma medida que fazia questão de sempre lembrar. Ela foi direta. Clara. Concisa. Objetiva. Papo de dar inveja a qualquer defensor da drummondiana frase “escrever é cortar palavras”.
Antes que o contador chegasse aos 30 segundos, deram-se ‘ends’. O papo já havia se esgotado por si só. Franqueza das poucas ouvidas e vistas. Ele engoliu seco. Só determinadas circunstâncias é capaz de explicar, embora fosse compreensível que de less em less brote a vontade de se ouvirem. Um ao outro, outro ao um. Eles se perguntaram logo depois do primeiro silêncio: por que virei a esquina naquele dia? Por que ao invés de dizer ‘venha’ eu disse ‘tchau’? Ele pensava: foi justamente naquele desencontro que tive a certeza do encontro. Foi justamente naquele ‘já vou’ que tive a certeza do ‘eu fico’.
Como é possível que uma simples atitude ou a falta dela dite tanto sobre a vida? E Pondé escreveu que com o tempo e as frustrações, a maioria de nós chega à triste conclusão de que é mais feliz quem é mais indiferente. E o resto só pode ser mar.
LIVRO-ARBÍTRIO

“Era uma tarefa engraçada e perigosa para nós dois. Pois, antes de prosseguir, é preciso dizer que a corda de macaco estava presa às duas extremidades; presa ao cinto largo de lona de Queequeg e presa ao meu cinto estreito de couro. De modo que, para o bem ou para o mal, nós dois, naquele momento, estávamos unidos; e caso o coitado do Queequeg afundasse para não voltar mais, tanto o costume quanto a honra exigiam que, em vez de cortar a corda, ela deveria me arrastar junto a ele. Assim, portanto, uma alongada ligadura Siamesa nos unia. Queequeg era meu inseparável irmão gêmeo; nem podia eu, de forma alguma, livrar-me das perigosas responsabilidades que o liame de cânhamo envolvia. De modo tão intenso e metafísico eu compreendia minha situação que, enquanto vigiava diligentemente seus movimentos, parecia perceber com clareza que minha própria individualidade havia se fundido com outra numa sociedade conjunta de ações: que meu livre-arbítrio recebera um golpe mortal; e que o erro ou azar do outro poderia me dragar, um inocente como eu, para um desastre ou morte imerecida. Consequentemente, vi que aquilo era uma espécie de interregno da Providência; pois sua justiça sempre presente jamais poderia ter sancionado uma injustiça tão flagrante. E seguindo adiante em meus pensamentos – enquanto às vezes o puxava de entre a baleia e o navio, que ameaçava esmagá-lo -, repito, seguindo adiante em meus pensamentos, percebi que essa minha situação era rigorosamente igual à de todo mortal que respira; apenas, na maioria dos casos, de um modo ou de outro ele tem essa ligação Siamesa com vários outros mortais. Se seu banqueiro falir, você quebra; se seu boticário por engano colocar veneno em suas pílulas, você morre. Claro, você pode achar que, com extremo cuidado, possivelmente se escapa dessas e de uma infinidade de outras fatalidades da vida. Mas, mesmo lidando tão cuidadosamente com a corda de macaco de Queequeg quanto possível, às vezes ele lhe dava trancos tão fortes que fiquei muito perto de cair para fora do barco. Tampouco podia esquecer que, fizesse o que fosse, eu tinha apenas o controle de uma das suas pontas”
Leia Moby Dick, de Herman Melville
ERMO
Parecia inevitável que seus pensamentos dessem voltas em torno do nada. A pergunta se reproduzia como aquela música insistente que sequer permite completar um ciclo de sessenta segundos antes de voltar a martelar o departamento das lembranças. Amarelo! Em quarenta segundos ou, às vezes, em cinqüenta, nos força a cantarolar como rádios desafinados. Parecia inevitável que todo aquele trânsito estressante para o resto do mundo, servisse apenas de um cenário melancólico e desatento, para ele. Será que estou feliz? O seu pensamento dava voltas em torno de um nada.
Percorreu intransitáveis ruas e avenidas e em cada sinal se encontrava na tentativa surreal de dar consciência a si mesmo. Vermelho! Ele se conhecia, era o bem da verdade, mas quanto mais se tenta fugir da resposta honesta, mas se está propício a se perder em vãs argumentações. Como uma pergunta tão simples pode perturbá-lo tanto?
É injusto o julgamento. É? Certamente é um dia muito escuro para se enxergar e muito silencioso para se ouvir. Verde! Parecia inevitável. A medida que se aceitava a verdade, por mais mentirosa que seus próprios argumentos tentem revelá-la, mais se culpava a solidão. Para ele, quanto mais populoso o mundo, quanto mais barulhento sua casa, quanto mais pesado o elevador e quanto mais inacessíveis seus caminhos, o cotidiano se mostrava um lugar vazio, mudo, leve e pérvio.
Ele não queria aceitar a infelicidade. Vermelho! Mais cedo ou mais tarde, ela alcança todo mundo, sabia? Ele não prestava atenção. Seus pensamentos davam voltas em torno do nada. Absolutamente nada. Não falava. Não ouvia. Não olhava. Não cheirava. Tentava recordar uma fala familiar. Tentava lembrar de uma música da adolescência. Tentava resgatar uma sinestesia esquecida. Verde! Será que estou feliz? Não conseguiu pelos sentidos. Escolheu um dos argumentos e condenou o seu estado solitário. No fundo, compreendeu que o que sempre resta é a solidão.
EXCERTO
“Dos troncos crescem os galhos; e destes, os ramos. Da mesma forma, de assuntos fecundos, crescem os capítulos”
Esses dias ele sonhou mais de uma vez com o mar. E, por mais que sua razão tentasse apontar como o motivo daqueles devaneios noturnos os apelos audiovisuais do belo filme do David Fincher, no fundo, aquele jornalista sabia que quem andava preenchendo suas lacunas de ilusões da madrugada eram mesmo as prazerosas leituras duradouras do velho Moby Dick. Naquela madrugada, ainda com o quarto espelhando a escuridão do lado de fora, o sonolento homem-que-sabe-um-pouco-de-tudo-e-quase-nada-de-muito, cambaleou até seu bloquinho de anotações – páginas brancas pequenas sempre prontas a serem ocupados de coisas que raramente são usadas no futuro. Tendem, no final das contas, a amarelar em algumas dessas gavetas cheias de coisas incapazes de motivar a curiosidade na disputa direta com a preguiça. Essas gavetas incentivam, de vez em vez, a pergunta “o que será que tem aqui?”, mas antes mesmo de abri-las, decide-se por deixar para amanhã o que não se fará nunca.
Sequer acendeu a luz para tomar notas. Escreveu, no máximo, duas linhas. Jogou as páginas do lado da cama e tentou dormir. Virou para um lado, virou para o outro. Resgatou o bloco, fez mais duas ou três curtas anotações e jogou-o no chão. Esmurrou o travesseiro, virou para um lado, virou para o outro. Pegou mais uma vez o bloco, ficou olhando o papel cândido, como quem procura um pensamento recente, ainda que não enxergasse nada além da negra escuridão. Virou para um lado, virou para o outro. Pobre jornalista. Repetiu isso durantes horas. A mesma seqüência. Bloco de anotações no chão, depois na mão, depois no chão, depois na mão.
Só quando a brisa das cinco horas passou e a luz penetrou pelas brechas sutis que o tempo fez o favor de consolidar ao longo dos anos naquela janela de madeira velha, é que o coitado insone rendeu-se a impaciência e desistiu de voltar a sonhar. Naquelas alturas, ele já aceitava qualquer tema. Serviam até os mais assustadores pesadelos da infância. Tudo que ele queria era mais cinco minutos de olhos pregados. Levantou, arreganhou a janela ainda gelada da madrugada, sentou-se e grudou os olhos na página 301. Envolveu-se na história da lula gigante. Esqueceu da ausência do sono. Bastaram-lhe duas ou três páginas a diante para perceber que são dos livros grandes que ele gosta mais. Afinal, como aquele relator de notícias poderia um dia ficar a sonhar com aquele livro do Le Clézio que gastou uma ponte aérea para ler? São os livros grandes que envolvem mais.
ONTEM
Se fosse ontem, num daqueles domingos de muito mocotó...
...tomei caldo de mocotó, aí ó, fiquei forte...
...aquela pequena mesa não caberia muita gente. Teriam que apelar para o bom banquinho de plástico da salvação.
Mas hoje não. Hoje, a imensa mesa acompanha-o vazio e solitário. Hoje sobram sete cadeiras que respeitosamente mantêm-se em silêncio. Talvez ele esteja satisfeito com a sua própria companhia.
Se fosse ontem, naquela emoção de desempacotar o presente...
...a gratidão de quem recebe um benefício é sempre menor que o prazer daquele do o faz...
...aquela vontade de gritar uma gratidão incalculável pela janela e o impulso de tentar reverberar aquele grito até o entroncamento das 101, 116 e 324. Se fosse ontem, o preenchimento estaria presente no seu rosto.
Mas hoje não. Hoje o sossego representa a consciência de um ‘muito obrigado’ mudo. Vê-se que a gratidão é muito mais da alma do que das vozes. Talvez o seu agradecimento não esteja em nenhum dicionário; os verdadeiros nunca estão.
Ele ganhou um Machado?!
Se fosse ontem, numa daquelas orientações desorientadas de professores ginasiais que mal sabem o que dizem...
...a primeira glória é a reparação dos erros...
...aquele surpreendente presente, apontaria um ar de tristeza. Quem ler bem “Memórias Póstumas de Brás Cubas” aos 13 anos, meu Deus?
Mas hoje não. Hoje aquele livro abre espaço nos seus prediletos, ocupa geometricamente a mesma estante de tantos outros adoráveis e apaixonantes. Ele ainda não leu aquelas tantas citações, mas a obra está ali, do lado de Dante, de Joyce, de Cervantes e de alguns Saramagos...
...não sei no que ele pensa. A sopa acabou, ele sorriu, levantou e deixou a mesa solitária. Agora apagou a luz. Deixou a sala escura.
COLOQUE NA SUA ESTANTE!
CALÇADA
Passou aquela corrente fria de ar da saudade. E, embora fosse uma noite quente, ele não tinha estranhado a sensação. Não era constante, mas não se fazia eternamente esquecida. Do nada ela surgia, como um mecanismo da memória. “Ela quer mostrar-se viva”, pensava. Se talvez ele não decidisse pelo pão fresco, não a sentiria. Mas ele deixou o conforto tumultuado dos seus trabalhos e desceu as escadas, pensava no título para aquele texto e pensou desde a trivial trancada de porta até o olhar para os dois lados, como sua mãe o ensinara, mas ao atravessar a rua, viu dois jovens conversando, sentados ao meio fio, assim como ele, há quase dez anos.
Ele não se enganou. Sabia que tudo que havia pensado a partir dali, embora parecesse um longo período, dando tempo, inclusive, de restituir boa parte daqueles longos dias de conversas jogadas fora, foram meros segundos. Rápidos e profundos, como os bons sonhos. Se parasse agora, exatamente na porta da padaria e tentasse lembrar do chão que acabara de pisar, não conseguiria. Sua cabeça estava longe. Eu vi a Luana hoje ela está sei lá mais mulher mais linda do que antes embora saiba que você ache impossível que ainda exista melhora para um rosto tão perfeito você viu até o final deu um aperto no coração aquele gol aos quarenta e cinco do segundo o Diego me disse que chegou a chorar quando pensou na possibilidade de partir imagine quando ele descobrir que irá mesmo. Ele estava longe.
Quando notou estava encarando um pão como Laika encarou o universo. O calor estava de volta e de súbito, relembrou o mestre Luiz Gonzaga... saudade entonce assim é bom pro cabra se convencer que é feliz sem saber pois não sofreu...

“O que Bloom, amante da água, tirador da água, aguadeiro, voltado para o fogão, admirava na água?
Sua universalidade: sua igualdade democrática e constância em sua natureza ao procurar seu próprio nível: sua vastidão na projeção oceânica de Mercator: sua profundidade desconhecida na fosso de Sundam do Pacífico excedendo 8.000 braças: a agitação de suas ondas e partículas de superfície visitando sucessivamente todos os pontos de sua orla marítima: a independência de suas unidades: a variabilidade dos estados do mar: sua quietude hidrostática na calmaria: sua turgidez hidrocinética em maré morta e fortes marés: sua subsidência depois da devastação: sua esterilidade nas calotas circumpolares, árticas e antárticas: seu significado climático e comercial: sua preponderância de 3 a 1 sobre a terra seca do globo: sua hegemonia indiscutível se estendendo em léguas quadradas por sobre toda a região abaixo do trópico subequatorial de Capricórnio: a estabilidade multissecular de sua bacia primitiva: seu leito lúteofulvo: sua capacidade de dissolver e conservar em solução todas as substâncias solúveis inclusive milhões de toneladas dos metais mais preciosos: suas erosões lentas de penínsulas e ilhas, sua formação persistente de ilhas homotéticas, penínsulas e promontórios propensos à inclinação...”
Está longe de ser o melhor trecho do “Ulisses”, mas em dois meses de leitura de James Joyce aprendi que nada é dispensável e que tudo tem uma referência... absolutamente tudo tem referência...
Quer boas referências? Então leia Ulisses, de James Joyce
ORGULHO DE SER...
Inventamos, pensamos, criamos, trabalhamos e fizemos acontecer. Há uma semana está no ar, pelo site do canal FIZ TV, a primeira edição do programa FIZ + Sotaques internacional. Com fuso horário e tudo. Com distância e tudo. Com "gringês" e tudo. E com muitos, mas muitos probleminhas técnicos, tornamos realidade uma vontade de fazer diferente, de superar nossos limites "fronteirísticos". Mas tenho dito, nada disso, absolutamente nada, seria possível se não fosse uma galera com vontade de tornar a ideia do videorrepórter Augusto Paim (que assumiu a posição de diretor nessas duas edições), algo palpável interneticamente. Recebemos ao longo da semana inúmeros elogios que encheu nossa equipe de incentivo e orgulho. Essa semana, porém, continuamos a saga. Agora, convidamos um sociólogo para fazer observações e explicar o porquê da gente ser conhecido pelo mundo como o país do futebol, carnaval e samba.
Para quem fez acontecer, um agradecimento muito especial: Augusto Paim (ALE); Danusa Ciochetta (ARG); Edina Girardi (ARG); Luciane Treulieb (ING); Marcelle Souza (BRA); Tales Tomaz (BRA); Thais Bugnara Rosa (BRA).
Embora sejam discussões que podem ser acompanhadas separadamente, seria interessante assistir ao primeiro programa antes do segundo. Seguem os dois, divididos em quatro blocos.
Programa Fiz + Sotaques internacional I - bloco 1
Programa Fiz + Sotaques internacional I - bloco 2
Programa Fiz + Sotaques internacional II - bloco 1
Programa Fiz + Sotaques internacional II - bloco 2

“O melhor
caminho
é sempre aquele que nos
leva
ao
mar”
João Cabral de Melo Neto
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