Passeio pela história (the end)

Leandro resume a todos: pouco se produz na segmentação cultural dos jornais em Sergipe. Atualmente, a imprensa impressa local é composta por três jornais significativos: Correio de Sergipe, Jornal da Cidade e Cinform. Os dois primeiros são periódicos diários, o último, um jornal semanal. Além do pequeno número de jornais, apenas o Correio e o Cinform utilizam a nomenclatura Cultura nas suas divisões de temas, enquanto que o Jornal da Cidade intitula Variedades. Num breve comentário, o caderno deste último é publicado de terça a quinta e aos sábados, com quatro páginas, sendo que apenas a primeira se propõe a falar de assuntos ligados à área cultural. O Correio de Sergipe, também diário, circula todos os dias – de segunda à domingo. Basicamente, dedica também apenas uma página para falar do tema, sendo duas direcionadas para anúncios e programação e a última para colunismo social. Já o Cinform, é o único semanário, que roda às segundas-feiras.
Leandro encerra a novela a todos: como a proposta deste blog é analisar os veículos diários, devo aguardar as análises diárias para postar comentários. Enquanto isto devo dizer que os principais problemas que assola a imprensa nacional estão presentes no universo regional de se produzir jornalismo cultural. Mas vamos para frente e veremos...
Grande abraço e até os comentários...
Passeio pela história (parte III)

Leandro conta a todos: o quadro de atraso da imprensa local só começaria a mudar com o surgimento da Gazeta de Sergipe, no início da década de 1960. Antes, conhecida como Gazeta Socialista. O jornal surgiu com propostas bastante inovadoras no conceito jornalístico sergipano e a nova roupagem já permitia absorver outra tendência: o diferencial nos fins de semana. A Gazeta apresentava, aos domingos, um jornal maior e com mais notícias, tal qual se faz atualmente. Na página 5 da Gazeta dominical, em 6 de março de 1960, nasceu um tímido espaço para discutir livros, contos e poemas. A coluna intitulada Literatura era comandada por Bonifácio Fortes e Alberto Carvalho e outros muitos espaços surgiram a partir de então.
Leandro continua a contar: a Gazeta de Sergipe veio mostrar o que é fazer um jornalismo cultural que não beire ao ridículo. A década de 1960 foi, sem dúvida, a do auge do jornalismo cultural em todo o mundo, no Brasil e não poderia deixar de ser em Sergipe. E não foi por acaso, os anos 1960 foi o período em que nascia no Brasil o cinema novo. Nomes como Glauber Rocha (1939-1981) e Nelson Pereira dos Santos despontavam; assim também na música com os festivais, onde geniais intérpretes e compositores, como Vinícius de Moraes, Elizete Cardoso, Baden Powell e Chico Buarque de Holanda surgiram no contexto das TVs Record, Excelsior e Rio. Além disso, a minissaia mudava conceitos de moda e comportamento. Tudo apontava para uma reformulação no modo de se pensar música, teatro, estilo, cinema, dança e artes em geral.
Leandro continua: não é difícil constatar como existia pouca preocupação com a segmentação cultural. Basta lembrar que, em 1965, o Sergipe Jornal, dirigido na época por José Carlos Teixeira (atual secretário de Estado da Cultura), possuía apenas uma pequena coluna que fazia um resumo da obra que seria apresentada nas telonas dos cinemas aracajuanos.
Leandro resume o próximo capítulo: chegarei ao contexto atual no post seguinte...
Passeio pela história (parte II)
Leandro anuncia a todos: na verdade, tudo começou em 1941...
Leandro conta a todos: os primeiros 40 anos do século XX não acrescentaram muita coisa para a história do jornalismo cultural sergipano no âmbito dos jornais impressos. Eles apresentavam um perfil generalizado, deixando claro que os veículos sergipanos tinham a mesma aparência, forma e texto dos jornais brasileiros em geral.
Leandro continua a contar: Foi em 17 de maio de 1941 que o jornalismo cultural sergipano nos jornais começou a ser construído. O Correio de Aracaju estreava a coluna Vida Literária, assinada pelo poeta e crítico Mário Cabral. O primeiro texto falava do livro de João de Minas: Fêmeas e Santas, “a crítica, em tratando de julgar um livro novo de um escritor velho, não se deve guiar jamais, pelo incenso que foi gasto com volumes anteriores, sinão [sic] com a essência exclusiva da obra a criticar. Vejo, cotidianamente, fracassos retumbantes de mumificadores figurões de literatura, os quais, uma vez galgado o pináculo da fama, continuam a escrever, fartamente, bobagens de todo gênero e calibre. [...] não nego ao sr. João de Minas o mérito que lhe pertence. Nego, tão somente, o valor de seu último livro que se intitula Fêmeas e Santas [...] Máu gosto no título, máu gosto das cores que ilustram a capa (verde, amarelo e preto); máu gosto do desenho [sic] (uma santa nua, de mãos postas)”.
Leandro ainda continua contando: “estava germinada a crítica e, conseqüentemente, o jornalismo cultural sergipano, a partir das três colunas redigidas por Mário Cabral. Não se pode, absolutamente, afirmar que a crítica ao livro Fêmeas e Santas foi o marco zero da segmentação cultural na imprensa local, afinal, antes dela já se publicavam folhetins, contos, crônicas e poemas. Mas foi com aquele texto de duras críticas à obra de João de Minas que o senso crítico aflorou. E foi, a partir dele, que aparecem assinaturas de pessoas preocupadas a questionar obras e divulgá-las para chegar ao conhecimento do público. Até os moldes de escrever, com uma visão mais preocupada e questionadora, alterou-se na imprensa.
Leandro anuncia a todos: ainda tem mais, esperem o próximo post...
Passeio pela história (parte I)
Leandro entra no blog: Boa noite! Boa tarde! Bom dia! Aos visitantes...
Leandro anuncia a todos: gente, abaixo segue o primeiro capítulo da blognovela ‘Passeio pela história do jornalismo cultural sergipano’. O texto foi retirando da minha monografia ‘Cadernos culturais sergipanos: um veículo a ser repensado’, na qual defenderei a tese da necessidade de mudanças no jornalismo cultural de Sergipe, mas isto é outra história. Apresentarei no dia 7 de dezembro, portanto, me desejem boa sorte e descubram o que descobrir nestes meses de pesquisa:
Leandro conta a todos: A imprensa sergipana do final do século XIX era como qualquer imprensa de pequeno porte da época. Suas formas eram limitadíssimas e, não raro, os periódicos tinham apenas uma pessoa para produzir os textos, diagramar, imprimir, distribuir e tudo mais que a elaboração de um jornal exigia. Os veículos sergipanos, de fato, eram pasquins com poucas possibilidades de sobrevivência, desde o primeiro dia que circulava nas ruas aracajuanas e do interior do Estado.
Leandro continua a contar: Os primeiros vestígios de um jornalismo cultural são datados de 1875, quando o Jornal de Aracaju publicou em folhetim, na primeira página, um conto de um autor não-identificado. Indícios não necessariamente dignos, mas que se considera um bom começo para a história da segmentação cultural no Estado. Em 1896, o periódico A Notícia também surgiu com um folhetim, mas desta vez, o elaborador do veículo se preocupava mais com o rodapé, fazendo questão de sempre publicar crônicas ou contos na parte inferior do jornal. A Notícia mantinha um compromisso com os apaixonados por ficção. Ainda notava-se folhetim em mais dois veículos na transição do século XIX para o XX em Sergipe: O Estado de Sergipe e A Razão. O primeiro, de 1902, tinha o mesmo problema do Jornal de Aracaju, sem periodicidade, nem compromisso com os atentos aos rodapés.
Leandro diz a todos: continuo no próximo post...
Monólogo de apresentação
Leandro entra na sala...

Leandro fala para todos: Bom dia! Boa Tarde! Boa noite! Aos visitantes...
Leandro fala para todos: Bem, este blog surgiu a partir de uma proposta do laboratório Itaú Cultural no qual eu faço parte. A idéia é colocar em discussão as formas e fórmulas de abordagem que o jornalismo cultural sergipano oferece aos seus leitores. Ou seja, avaliarei e farei uma comparação de visão dos jornalistas que cobrem a segmentação cultural em Sergipe, em especial, em dois veículos: Jornal da Cidade e Correio de Sergipe, ambos disponibilizam seus conteúdos na íntegra via internet...
Leandro revela para todos: Tais observações serão colocadas como temas cotidianos de discussão, jogaremos os questionamentos na roda e através dos comentários, convidarei vocês visitantes para o debate. Topam?
Leandro anuncia para todos: no próximo texto postado, colocarei um breve histórico do jornalismo cultural em Sergipe...
Leandro vibra para todos: Boa leitura e sejam bem vindos!
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