MINHA LISTA DAS COISAS DO PARANÁ

Escreveu certa vez José Saramago: “é interessante como levamos todos os dias da vida a despedir-nos, dizendo e ouvindo dizer até amanhã...” Até amanhã eu disse à Curitiba faz poucas horas. Mas foi um ‘até amanhã’ sem muita certeza do amanhã, sem nenhuma certeza de que voltarei a vê-la. A aventura curitibana tinha deixado marcas silenciosamente gritantes e sei bem que caso elas não sumam em 48 horas, certamente sumirão em 48 dias. Mesmo que não desapareçam completamente, mesmo que não abandonem meu corpo profundamente, tenho a certeza que não se manterão na superfície das minhas lembranças por muito tempo. Na dúvida, preferi escrever minhas impressões e seguir a fazer listas e mais listas. Que as listas se eternizem!
Das coisas do Paraná, das coisas de Curitiba, eu traria até Minas Gerais o poluído Rio Iguaçu, que desemboca nas belíssimas cachoeiras vibrantes da sua foz. De lá eu traria pra cá as árvores paradas, as folhas calmas, aquele clima sem vento, perfeito para lançar papéis ao ar. Eu traria a VX de Novembro, vulgo Rua das Flores. Trá-la-ia principalmente nas horas calmas das madrugadas, onde qualquer simples voz animada incomoda as pedras portuguesas preguiçosas.
Ah! De Curitiba importaria os casais jovens e tranqüilos a trocar beijos nos bancos gelados do centro da cidade. Importaria os ônibus conversadores, eles se comunicam com seus passageiros com respeito. São verdadeiros metrôs
Curitiba deveria exportar o respeito que seus habitantes têm pelo trânsito e deveria ensinar que nas escolas se deve formar uma única fila de carros e não ocupar todas as faixas das avenidas. Mesmo com os abraços frios dos seus habitantes e os apertos de mãos sem firmeza dos curitibanos, Paraná é um mágico lugar! De lá, sobretudo, trago a certeza que educação existe e que basta aprendermos a aprender! De Curitiba traria muitas coisas e deixaria saudades. Essa é minha lista!
|
||||
|
|
||||
|
||||