JORNALISMO DE COMADRE (OU AS 30 PERGUNTAS QUE NÃO FORAM FEITAS, PORTANTO, NÃO FORAM RESPONDIDAS)

Permitam-me falar de jornalismo. Não de jornalismo cultural, mas de uma certa cultura de se fazer jornalismo. Posso? Pois bem. Nos dois últimos Fantásticos que andei assistindo, Zeca Camargo e Patrícia Poeta ficaram cansativamente anunciando uma exclusiva. Sou fã de exclusiva, mas alguém já disse certa vez: boas respostas só ocorrem mediante boas perguntas. E ouvir aquelas perguntas, tanto no caso Isabella, quando pai e madrasta foram entrevistados, quanto hoje, no caso Ronaldo, foi angustiante. Sem falar nas perguntas que me sobravam na garganta, mas faltavam ser ouvidas. Faltou mesmo foi um ponto eletrônico! Foram entrevistas de se esconder! Valmir Salaro e Patrícia Poeta têm razões fortíssimas de não serem esquecidos pela camaradagem, pelo jornalismo de comadre. Foi um literal “armengue”.  É regra ginasial adaptada toscamente para o jornalismo: o professor finge ensinar, o aluno finge aprender. O repórter finge perguntar, o entrevistado finge responder. Sem arremessar na parede não tem graça! Assim o crime não compensa.

Nem o crime compensa, nem a espera se valida. Em ambos os casos, no meio das entrevistas já me senti enganado. E olha que o escriba aqui trabalha em TV e sabe muito bem o jogo de interesses, o motivo da canseira de anúncios e esses blábláblá todos. E digo mais, nem esperava nenhuma entrevista genial, discussões filosóficas, pra isso assisto Provocações, do Antônio Abujamra. Eu queria simplesmente, respostas. Respostas para coisas óbvias. Respostas para perguntas simples. Elaborei 30 dessas questões que não foram feitas, portanto, não foram respondidas, em especial, para os acusados no assassinato da menina Isabella. Mas não quero deixá-los cansados, até porque quem ainda agüenta ouvir falar disso? Deixo só duas (que nem fazem parte da lista das trinta).

Caso Isabella: para quê aquela entrevista com pai e madrasta foi feita, afinal?

Caso Ronaldo: por que falar disso, ora bolas?

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