MINHA LISTA DAS COISAS DE SÃO PAULO

 

 

De São Paulo o que se leva? Perguntei-me, entre sujeito e predicado, entre idas e vindas pelo caótico trânsito da quarta maior cidade do mundo. A grandeza dali nos força a pensar em lembranças devidamente proporcionais. Por exemplo, de São Paulo não se pensa em levar postais e esses meros trecos que sequer ocupam lugar na mala. Não! Isso é pensar contrariamente ao que suas paredes de concretos sugerem. De São Paulo se imagina levando todo um Masp e suas magníficas obras. Toda uma Paulista, mesmo quando iniciada no Paraíso e finalizada na Consolação, ou o inverso disso. Sim! A imensidão daquela cidade não nos permite imaginar ocupar nosso tempo lembrando do simples catálogo de Portinari. Pensamos logo em toda série “Retirantes”, em “Bíblicas” e seus 200 x 301.

 

São Paulo é estranha. Faz-nos se sentir pequenos, mas nos força a pensar grande. É um constante contraste geográfico, dimensional, estatístico. Faz-nos ser únicos e ao mesmo tempo, muitos. É por isso que reafirmo, de São Paulo eu traria o Masp e seus Portinaris. Traria o que restou de uma das mansões Matarazzo (como ficaria perfeita numa viela ouro-pretana!); De lá, as infinitas bancas da Paulista, a convidar, a gritar, a suplicar: ‘comprem revistas, comprem revistas, comprem revistas, seu filho merece uma revista’. Ah! A escadaria da Cásper Líbero. Traria aquela escadaria fria e sempre muito bem acompanhada. De São Paulo eu importaria os resquícios do sol de final de tarde na Vão Livre do Masp e também os cafés e o infinito charme intelectual, ou pseudo-intelectual, como queiram. Traria também as livrarias e com elas uma pergunta: por que todas as vitrines são iguais? Mesmos livros? Mesmos preços? Mesma ordem? Quem acredita em coincidências numa hora dessas?

 

Acreditem! De São Paulo eu traria o pão de queijo da Companhia Mineira, na esquina da Paulista com Brigadeiro Luis Antônio. Minas merecia também um Museu do Ipiranga. “Morte!” – eu tinha vontade de gritar a todo momento só pra  contrariar a memória de Dom Pedro. Traria de São Paulo o patriotismo-pseudo-estadual e aquelas mórbidas bandeiras paulistas por todos os lados. Traria aquele ligeiro e singular olhar de Laika da Babi Borghese num desses cafés. O abraço apertado da Patrícia no congelante vento das 19h (gesto tão incomum nos frios-tratamentos-humanos-paulistas). Ah! Tem também as exposições que não vi, as peças que não assisti, os shows que não escutei. É arte que sobra por lá e arte que falta em tantos outros lugares (viva a Lei Rouanet!).

 

De São Paulo eu deixaria o trânsito e a prospecção de que um dia, de tão lento, será possível expor as artes nos carros que andarão 500 metros por dia. Teremos tempo de apreciá-las? O que você levaria de São Paulo?

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