MELHOR NÃO TENTAR DESCREVÊ-LO

(OU ‘O ÚLTIMO POST DA TEMPORADA’ UMA OVA!)

Fotografia tem dessas coisas. Congela o tempo, paralisa o mundo, desacelera cidades e estaciona uma ação que nada mais é do que um movimento contínuo. Eterniza. Fotografia é mensagem atirada ao mar. Não há sinestesia nem lembrança que a supere. Engraçado é que não se pensa muito nisso. Não se existe tempo disponível para pensar nessas besteiras... nessas poesias concretas da banalidade... nesses monólogos transbordantes de saudade. Para que importa isso, se tempo é dinheiro? As fotografias. As fotografias vivem escondidas nos porta-retratos abandonados e nos álbuns da Kodak esquecidos nas gavetas inertes. É curioso pensar que embora a gente esqueça seus autores (homens dispostos a ficar de fora do momento sagrado), lembramos detalhadamente dos figurantes (dos carros que esperam gentilmente o click, dos atentos do outro lado se perguntando o que estariam aqueles quatro a fazer no meio da rua). Por que transformar a Paulista numa Abbey Road? Perdoar? Eles sabem o que fazem? Bem disse Saramago, “Os momentos perfeitos, sobretudo quando raiam o sublime, têm o gravíssimo contra da sua curta duração, a que, por óbvio, dispensaria ser mencionado se não fosse a circunstância de existir uma contrariedade maior, que é não sabermos o que fazer depois”... bem perguntou Reuben, “que memória dá conta quando não há nada numa história que não seja inesquecível?”... bem respondeu o tempo.

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